DEMOCRACIA – Vulnerabilidades Fatais (Parte 3)
General de Brigada Veterano Luiz Eduardo Rocha Paiva
Na Parte 1 escrevemos: “democracia pode ser resumidamente definida como ‘o governo do povo, pelo povo, para o povo”. Isto é, o poder nacional é instrumento do povo a ser empregado para garantir interesses vitais - desenvolvimento, segurança, soberania e qualidade de vida.
Nos textos anteriores destacamos duas vulnerabilidades fatais a qualquer democracia: - parcela relevante do povo mais esclarecido radicalmente dividida entre lideranças políticas excludentes e outra parte maior ainda, culturalmente despreparada, carente e dependente do Estado, custeada pelos setores produtivos e eleitoralmente servil a lideranças cujo interesse é o poder pelo poder e não pelo bem comum; e, - Estado e instituições por fraqueza, conivência ou omissão de suas lideranças e a sociedade, por passividade ou desalento, são controlados por oligarquias patrimonialistas (OP) poderosas que manipulam as leis em prol dos próprios interesses e usurpam os recursos nacionais impunemente, desprezando o bem comum. A corrupção de altos escalões contamina grande parte da sociedade, a democracia sucumbe e a nação se torna uma cleptocracia. Uma terceira vulnerabilidade é a infecção da sociedade por utopias ideológicas como o nazifascismo e o socialismo marxista, ambas revolucionárias; pelo socialismo fabianista não revolucionário (social-democracia); pelo globalismo supranacional; ou pelo fundamentalismo religioso. A esses atores soma-se a antiga OP (Parte 2), pois essas vulnerabilidades são simultâneas e visam apenas o poder, aliando-se ou opondo-se entre si. No Brasil, além da OP, têm força política o socialismo marxista e o fabianista e o globalismo, hoje, mais “companheiros de viagem” do que opostos, mas isso muda com os contextos. O socialismo marxista, após sucessivas derrotas em suas tentativas de se impor, seja pela revolução via violenta (1935 e 1966/1977), seja pela revolução via pacífica (1962/1964), hoje adota as propostas pela Escola de Frankfurt (EF), combinadas com as estratégias gramscistas. Aceita a evolução dos métodos doutrinários originais para a tomada do poder, mas mantém o propósito de impor aquele regime, cuja prática mostrou ser a morte da democracia. A EF e Gramsci propuseram uma revolução cultural, cientes de que o proletariado estava satisfeito com as possibilidades de melhoria de vida no capitalismo. Era necessário mudar o foco do proletariado para a sociedade como um todo, fragmentando-a antes de tomar o poder, isto é, destruir a Civilização Cristã Ocidental para implantar a sociedade socialista. Vieram estratégias de relativização/desmoralização/destruição de valores morais, família, religiões, tradições, costumes, patriotismo, burguesia, arte, etc. A revolução cultural visando enfraquecer o aparato de segurança dos Estados e a sociedade civil, expandiu-se em extensão e profundidade, desde os anos 1960, nas democracias explorando as brechas que o regime proporciona. Nossa sociedade e instituições estão em adiantado estado de neutralização, prestes a romper sagrados compromissos com a Nação, liberdade, justiça, soberania e valores morais e cívicos. O filósofo Karl Popper disse: “se a sociedade for demasiado tolerante com os intolerantes, eles acabarão por destruí-la e a tolerância com ela”.
